Sabe aquele pudim com furos, que desmancha na boca e tem uma calda que parece abraço de mãe? Então, ele não veio de forma mágica. Veio da leiteira – aquela panela de alumínio com tampa que sua avó usava e que você provavelmente tem guardada.
O pudim na leiteira é a prova de que simplicidade vence qualquer receita gourmet. Enquanto todo mundo sofre para assar pudim no forno em banho-maria, você vai descobrir que a panela de pressão (a famosa leiteira) faz o mesmo serviço em menos da metade do tempo, com uma textura que parece nuvem.
A popularidade desse método disparou nas décadas de 80 e 90, porque as donas de casa precisavam de práticas e rápidas. E funciona até hoje: sem pré-aquecer forno, sem medo de queimar em cima, sem estresse.
Curiosidades para você impressionar na hora do café:
- O pudim de leite condensado nasceu no Brasil nos anos 70, mas a técnica da leiteira veio da adaptação criativa das cozinheiras que não tinham forno.
- Diz a lenda que o ponto perfeito do pudim na pressão é quando a válvula da panela pia 3 vezes seguidas de forma ritmada. Minha avó jurava por isso.
- Se você abrir a panela quente, o pudim murcha e racha. O segredo é a paciência: esfriamento total dentro da panela fechada.
Pudim na Leiteira: O Segredo Cremoso da Sua Avó (Sem Forno!)
Ingredientes
Para a calda
Para o pudim
Modo de Preparo
Na própria forma do pudim (a que vai ao fogo direto? CUIDADO: se for de alumínio fino, faça a calda numa panelinha separada). O ideal: Numa panela pequena, derreta o açúcar em fogo médio até virar um caramelo dourado (cor de âmbar). Não mexa com colher – só balance a panela. Quando estiver no ponto, despeje a água aos poucos (cuidado com respingos!). Cozinhe por 2 minutos até dissolver. Despeje a calda na forma de pudim e gire para untar todo o fundo e as laterais. Reserve.
Segredo: calda escura demais amarga. Calda clara demais não solta. O ponto é quando o cheiro de queimado doce aparece – aí desliga.
Ligue o liquidificador. Coloque o leite condensado, o leite (a mesma medida), os ovos e a baunilha. Bata por 2 minutos até ficar homogêneo. Não bata demais para não criar espuma (espuma = furos grandes feios).
Com a forma já caldada, despeje a massa do pudim peneirando (sim, use uma peneira fina – isso elimina qualquer película de ovo e garante a cremosidade extrema). Cubra a forma com um prato ou papel-alumínio bem preso.
Coloque a forma dentro da panela de pressão vazia. Adicione água até dar metade da altura da forma. Feche a panela. Leve ao fogo médio-alto. Quando pegar pressão (válvula começar a girar/soltar vapor), abaixe o fogo para médio-baixo e cronometre:
25 minutos para pudim mais firme
22 minutos para pudim mole e cremoso (minha escolha)
Desligue o fogo. Não abra a panela. Deixe a pressão sair sozinha (cerca de 20 minutos). Depois, abra. Retire a forma com cuidado (use pano). Ela vai estar muito quente. Deixe esfriar totalmente em temperatura ambiente (1 hora) e depois leve à geladeira por no mínimo 4 horas (ideal: de um dia para o outro).
Passe uma faca fina nas laterais da forma. Aqueça o fundo da forma por 15 segundos no fogo baixo (só para amolecer a calda). Coloque o prato de servir por cima e vire de uma só vez. Se o pudim não sair, dê uma batidinha seca na forma.
Pronto. Agora você tem um pudim na leiteira digno de padaria. Olhe para aquela calda brilhante descendo pelas laterais. A primeira garfada é memória.